O meu Festival da Canção

Este ano estive estreitamente ligada ao Festival da Canção. Fiz parte do júri das semifinais e participei no tributo às Doce, na final, em Guimarães.

 

Para mim, que sempre segui os festivais da canção até quase ao final dos anos 90, foi uma alegria poder participar activamente e fazer parte desta enorme família, por onde passaram nomes que foram importantes para a minha formação musical e artística.

Sobretudo, fiquei feliz que o festival pudesse resgatar a credibilidade perdida por uma série de escolhas infelizes em anos recentes. Sei que a Eurovisão é um outro campeonato e que os critérios que lá valem não são necessariamente os critérios que me parecem mais importantes do ponto de vista da qualidade musical e artística. Mas agrada-me que por cá se tente dar a maior parte da importância à arte de escrever canções e de as interpretar, sendo o resto exactamente isso: o resto. É importante, mas só se a matéria-prima for de qualidade.

Bem sei que isso de nada vale depois na avaliação europeia e que a política de qualidade até nos tem granjeado maus resultados ao longo dos anos: levamos boas canções, mas não levamos espectáculo e promoção massiva e política de bastidores e todas essas coisas que movem montanhas.

Mas ficamos nós com canções que enriquecem o nosso cancioneiro, que ainda sabemos de cor passadas décadas e com artistas que ficámos a conhecer do Festival da Canção.

Um desses artistas são as Doce. O primeiro grupo no feminino a cantar canções pop sem medo de mostrar a sua sensualidade, num Portugal profundamente conservador dos anos 80. O seu trabalho, a par com o trabalho de Lena d’Água, Adelaide Ferreira ou Xana, dos Rádio Macau, para citar algumas das mulheres na música nessa década, ajudou as gerações vindouras de mulheres a desbravar o seu caminho e a perceber que podem ser quem quiserem.

A minha primeira memória musical é o “Amanhã de Manhã”, no rádio a pilhas, na casa da minha avó São.

Foi por isso que aceitei este convite do Moullinex para, em conjunto com Marta Ren, Catarina Salinas e Selma Uamusse, as homenagear, sabendo que o objectivo não era tentar chegar perto daquilo que o grupo construiu durante a sua carreira, mas apenas celebrar o seu cancioneiro.

Ficou a intenção e o carinho que lhes temos.

O Festival deste ano trouxe muitas coisas bonitas à minha vida e ensinou-me outras tantas.

Para o ano há mais Festival e mais canções e mais polémicas, que sempre acompanham tudo aquilo que importa às pessoas, porque as emoções ficam à flor da pele.

AB

 

 

 

 

 

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